Artesanato - Turismo & Cultura

O Bordado de Castelo Branco
A expressão superior do Bordado de Castelo Branco são as colchas. As mais antigas datam do séc. XVII, mas o seu explendor verificou-se no séc. XVIII devido às reformas do Marquês de Pombal, que fomentou o plantio de amoreiras, criação do bicho da seda e a fundação das fábricas de sedas em Lisboa, Porto e Portalegre. Também Castelo Branco conhece um incentivo sem precedentes na produção e protecção da sericicultura. Estas colchas eram bordadas por raparigas para depois serem usadas pela primeira vez no seu leito nupcial e depois eram exibidas em dias de festa nas janelas de suas casas. Conforme os tempos foram passando as colchas foram copiadas, umas na sua totalidade e outras em parte, em que os motivos iriam ser adaptados a quem os bordava.
«Imagens de Bordados (Clique nas Setas)»
O simbolismo está associado, principalmente à vida sentimental, vegetal e animal. Podemos encontrar como exemplos de simbolismo: A Ave Bicéfala representa a união pelo amor; O Cravo e o Lírio representam o amor do homem e o amor da mulher; O Galo representa a autoridade que a rapariga reconhece ao homem; A Árvore da Vida é associada ao cosmo em toda a sua extensão. As Colchas de Castelo Branco são um hino à exuberância da vida pessoal, vegetal e animal, onde esta conjuga a fertilidade e a abundância no amor. Pode-se assim dizer que o simbolismo difere conforme o espírito ou vida da rapariga que o borda. Pesquisando as suas origens, reza a história que as Colchas de Bordados de Castelo Branco surgiram de uma inspiração Oriental a partir dos meados do Séc. XVI. Pode-se dizer que a inspiração Oriental é de influência Indo-Portuguesa. Esta inspiração está na estrutura decorativa, nos pontos e no simbolismo, mas com a apropriação forte pelo contexto Beirão foi-lhes posta uma identidade própria.

Escalos de Cima, desde há muito tempo que é a principal localidade impulsionadora dos Bordados de Castelo Branco, prevalecendo pela sua qualidade e profissionalismo adquiridos com o passar do tempo. Fundada em 1952 a primeira oficina pela mão de D. Maria Deolinda Matos Serrano Riscado, muitas foram as jovens na altura que aprenderam a bordar, aprimorando a sua técnica e apresentando nos dias de hoje verdadeiras obras dotadas de enorme talento. Esforços estão a ser feitos actualmente pela ADRACES para proteger e certificar o Bordado de Castelo Branco contando com o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, Museu Francisco Proença Tavares Júnior, Instituto Politécnico de Castelo Branco e do Programa Comunitário “EQUAL".

Artesanato diverso
Escalos de Cima não se caracteriza apenas pelos seus bordados, mas também por possuir verdadeiros artistas que com o seu talento criam verdadeiras obras de arte. A pintura, vitral, barro, cortiça e porcelanas, são outras das realidades artísticas existentes na localidade, dotadas de uma beleza e perfeição criadas pelo enorme talento dos artistas locais.

João Robalo, nasceu em 1965 em Escalos de Cima, tem a sua actividade profissional em Alcains com um Atelier para desenvolver os seus trabalhos e transmitir o seu conhecimento através de cursos de aprendizagem. Descobriu a sua veia artística aos onze anos após a feitura de um presépio na escola do primeiro ciclo não parando desde então. Actualmente, ocupa os seus tempos livres com a actividade artística na área da pintura, visando sempre apreender novas técnicas frequentando vários cursos de trabalhos manuais. Este artista escalense destaca-se pela pintura em telas, vitrais, tecido, porcelanas e trabalhos em barro. Muitas são já as exposições efectuadas por toda a Beira Interior que lhe valeram em Agosto de 2006 o Certificado da Carta de Unidade Produtiva Artesanal pela Comissão Nacional para a Promoção dos Ofícios e das Micro Empresas Artesanais. A Associação Escalar durante a sua existência já realizou duas exposições das suas principais obras, promovendo desta forma os traços culturais da nossa terra, que foi do agrado de todos os visitantes.

Artesão de longa data, Joaquim da Gama Fazenda era conhecido pelo seu dom de converter cortiça em verdadeiras obras de arte, retratando situações quotidianas da localidade de Escalos de Cima tais como a queima tradicional do madeiro, uma noite de Natal na Igreja, ou simplesmente um jogo de futebol. Várias foram as exposições pelo país que lhe valeram várias distinções e primeiros prémios nesta rara arte. Além deste dom, ainda tem a habilidade de pintar peças de loiça, tendo como principais linhas orientadores cravos e rosas, símbolos utilizados nos Bordados de Castelo Branco. Para contemplar as suas obras basta apenas visitar a localidade nas manhãs e tardes dos dias úteis.

Alcino Pereira despertou o seu gosto artístico quando tinha 12 anos, desenvolvendo a sua primeira obra de arte que se baseava num desenho a carvão. Desde aí nunca mais parou, criando outros desenhos em pastel, grafiti, acrílico e mais recentemente a óleo. O simples gosto de desenhar preenche os seus tempos livres, e é nessa altura que cria bonitas obras de arte, capaz de satisfazer variados gostos. As técnicas que mais utiliza actualmente são o Abstractismo e o Surrealismo para a pintura, mas também tem criado peças em madeira.

Escalos de Cima caracteriza-se pelos tempos passados de agricultura, com cultivo de centeio, feijão pequeno e milho adubados com a presença dos rebanhos de ovelhas e cabras. Muitos eram os homens que se dedicavam à pastorícia, que com o tempo iam desenvolvendo pequenas obras de arte nas pausas do seu trabalho. Falamos assim das conhecidas colheres de pau, feitas da Laranjeira, tornando-se utensílios de cozinha, ainda utilizadas nos dias de hoje. A simbologia dos bordados foi inserida nas colheres de pau.