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A localidade de Escalos de Cima caracteriza-se por possuir um Património Arquitetónico considerável onde as festas e romarias assumem também um papel de destaque pelas suas raízes históricas. Abordamos também nesta secção a Etnografia escalense, assim como os últimos eventos culturais que se foram realizando até à recente data.

No conjunto de links em baixo poderá navegar por estas categorias que tão bem identificam a cultura local.

Etnografia
Património Histórico
Festas e Romarias



ETNOGRAFIA

Agricultura e Pastorícia
Apesar da localidade de Escalos de Cima contar com alguns pólos de indústria, nos tempos passados, o sector dominante era o primário, onde a agricultura assumia um papel preponderante na sustentabilidade das famílias locais. Eram inúmeras as hortas onde se cultivava o centeio, feijão pequeno e milho, adubados com a presença dos rebanhos de ovelhas e cabras. As noras, muitas delas movidas por um burro ou vaca, e os poços de água, alimentavam os legumes e hortaliças que eram plantados nas devidas épocas para vingarem na sua verdadeira essência. Nos dias de hoje este grande esforço de rega foi facilitado pela introdução dos habituais motores de rega. Muitos eram os pastores e agricultores que cuidavam dos animais e dos terrenos para deles retirarem os dividendos para a sua economia doméstica. Lã das ovelhas, peles e outros elementos também eram aproveitados para darem origem a peças de vestuário que melhoravam o bem-estar das pessoas, pois os tempos eram bem mais difíceis que actualmente no que diz respeito no acesso à variedade de vestuário. Apesar de nos dias de hoje ainda se verificar esta realidade, podemos dizer que não é com o mesmo nível de intensidade, pois a força laboral concentra-se mais no sector secundário e terciário.

Azeitona e os Lagares
É no mês de novembro que se procede à colheita da azeitona, mês caracterizado pelos nevoeiros frios e húmidos. Mas não são estes aspectos metereológicos que demovem as famílias de se juntarem para que com as suas tradicionais escadas subirem ao cima das oliveiras e recolherem a azeitona. Antigamente, pela manhã, ouviam-se búzios que tocavam para as pessoas se juntarem na Praça, formando-se ranchos dirigindo-se cada um para o seu olival. Os homens acartavam as escadas e as mulheres as mantas, cestos e cirandas. O trabalho fazia-se do nascer ao pôr do sol. Quando a noite se aproximava, chegava o ganhão com o carro de bois que era carregado com os pesados cestos, sacos das azeitonas, entre outros materiais. Os homens acompanhavam os carros ao lagar e as mulheres iam para casa tratar da ceia, dos filhos e dos arrumos. Nestes dias de colheita da azeitona, as crianças não estavam autorizadas a ir para os olivais, pois devido ao atraso da medicina e a possibilidade de apanharem uma constipação, gripe, tosse convulsa, pleurisia ou pneumonia eram uma realidade de merecer todo o cuidado e respeito. Os homens juntavam-se em frente ao lagar situado na rua do Espírito Santo e teciam os seus comentários sobre a colheita. A azeitona era submetida a uma lavagem e era submetida ao normal processo de retirar dela o azeite, contando com uma grande pedra granítica circular com um rasgo em toda a volta para a esmagar. Nos dias de hoje ainda assistimos a esta tradição, onde as pessoas aproveitam para conciliar este dia de trabalho com um dia de convívio, onde as fogueiras para se aquecerem marcam presença, assim como o bom vinho, pão, chouriço, presunto, queijo e azeitonas para repor as energias gastas neste grande dia.

Linho e as Colchas
Apesar de hoje não se cultivar o linho , bem como noutras aldeias da Beira, antigamente, Escalos de Cima nos campos do Verdelhão, Cotifo ou Vale da Alagoa, o linho ondulava nas tardes de Primavera ao sabor da brisa como se fossem ondas do mar. Assim como o vinho, azeite e pão, o linho também tinha lugar próprio nas casas das aldeias, quase sagrado. As duas espécies mais cultivadas eram o mourisco e o galego. Concluído o processo de cultivo e crescimento, quando o linho se encontra pronto, procedia-se à "arrinca", ou seja, arrancava-se pela raiz porque todo ele era aproveitado. O primeiro passo era o ripo onde se separavam as baganhas, secando-se depois ao sol para seguir para o maçadouro. Para tornar a fibra mais fina passava-se pelo sedeiro. A revolução industrial e a sociedade actual de consumo acabaram com o linho que apenas persiste em raras regiões do nosso Portugal.