Festas e Romarias - Lazer

A feira de Santo Amaro
Santo Amaro, foi um monge beneditino que divulgou a regra de São Bento e fundou algumas abadias em França, falecendo no ano de 584. O povo associou-o a poderes milagrosos e curativos sobre os ossos, ficando assim ligado à capela de Santo Amaro, ruas adjacentes, ribeiro e fonte da localidade, possivelmente, por influência dos frades dos conventos da cidade que exercem muitas vezes o cargo de vigário. Esta feira celebra-se anualmente no dia 15 de Janeiro pelas 10 horas da manhã com missa cantada e sermão, seguida da procissão pelas ruas circundantes à capela. Algumas pessoas pagam promessas em dinheiro para as missas, mas a maior parte noutros tempos, ofereciam obras em cera de pés, mãos, pernas, entre outros, representativos de partes do corpo que foram partidas e curadas por intercessão do Santo. A festa conta com a presença de muitos feirantes, que permitem o comércio de brinquedos, roupas, sapatos, cadeiras, àrvores de fruto. Noutros tempos eram comercializados animais, acessórios agrícolas e todas as especiarias e afins para a tradicional "matação" do porco velho.

O Carnaval
Antigamente, antes de entrar no período da Quaresma, havia alguns divertimentos que tinham início logo a seguir ao Natal. Quartas-feiras e Sábados, com a hora já um pouco avançada, os rapazes juntavam-se na Praça e depois no Largo da Senhora da Ajuda e "choravam o entrudo", onde com a voz disfarçada, criticavam em altos gritos as partilhas, desavenças e situações anómalas da população. Algumas pessoas disfarçavam-se com fatos velhos e desajeitados, pregando partidas e alguns sustos. O Carnaval começava com os bailes de Domingo Magro que tinham lugar dez dias antes. A Quinta-feira seguinte denominava-se das "Comadres". Grupos de pessoas organizavam jantares onde se comia bem e havia divertimentos. Domingo Gordo, Segunda e Terça eram os dias plenos de Carnaval, multiplicando-se os bailes particulares e os do Clube, partidas, pequenos cortejos e "contradanças". Terça-feira era o dia dos rapazes enfarinharem as raparigas, onde os rapazes as procuravam e as esfregavam com farinha. Nos dias de hoje a tradição evoluiu e estes festejos sofreram algumas alterações, mas o espírito mantêm-se, surgindo à pouco tempo a criação do Jantar das Décadas, onde os jovens se juntam todos num grande jantar no Salão Multiusos, divididos por anos de nascimento, onde cada grupo tem o seu disfarce, desfilando pela terra e animando a localidade. No final da noite é nomeado o grupo mas original, acentuando sempre o espírito competitivo para ver quem ganha.

A Quaresma
O primeiro dia da Quaresma denomina-se Quarta-Feira de Cinzas. No Domingo de Ramos do ano anterior o bispo da Diocese benze pedaços de Oliveira, loureiro e murta que se queimam propositadamente para a cerimónia deste dia. É o convite a quarenta dias de sacrifícios, orações e jejuns, um pouco semelhante ao Ramadão árabe. As Sextas-feiras eram dias propícios a determinados actos relegiosos para além da abstinência e jejum, nos quais à noite, depois do jantar, saía da Igreja Paroquial uma procissão onde apenas participavam os homens, todos vestidos de negro e embrulhados nos capotes. Um levava a cruz e outro dirigia a ladainha e orações que se cantavam e rezavam pelas ruas da aldeia. Esta procissão chamava-se "a procissão das ladainhas".

O Domingo da Rosa e da Pinhata
Para aliviar um pouco a pressão gerada pela Quaresma, a Igreja Católica instituíu o quarto Domingo da Quaresma como o "Domingo da Rosa". As pessoas fazem uma alimentação mais substancial e à noite divertem-se no baile da pinhata, baile constituído por uma pinha muito grande (pinhata) com paus e papel, tendo no seu interior prendas muito bonitas, mas também balões com cinza e água, recipientes que rebentavam ao mais pequeno toque. Era um momento de grande agitação e divertimento. Ao terminar esta brincadeira, duas meninas percorriam a sala, levando no braço uma cesta onde se encontravam metades de corações de cartolina vermelha que distribuíam, uma pelos rapazes, a outra pelas moças. A um sinal do chefe da sala cada um e cada uma procuravam a outra metade do coração e assim se formavam os pares para iniciar a "Valsa da Meia Noite". Assistiram-se a muitos destes bailes no Clube de Escalos, os quais também contavam com a animação do Grupo de Teatro do Clube Recreativo de Escalos de Cima existente na década de 40 do séc. XX.

A segunda parte da Quaresma
Assumindo maior importância, a segunda parte da Quaresma tinha início com "a semana das confissões". Vinha um frade que todas as noites rezava o terço e proclamava o sermão dito do púlpito para baixo. Os paroquianos deslocavam-se ao confessionário para confessar os seus pecados. As duas últimas semanas destinavam-se à preparação da grande festa da Páscoa, as quais eram dedicadas às limpezas gerais nas habitações de cada um. Loiças e vidros eram transportados para o ribeiro de Santo Amaro, ou para as hortas, lavando-se com palha, cinza ou areia muito fina. A roupa também entrava nesta desinfecção geral, lavando-se muito bem em grandes panelas de água a ferver e punha-se a corar ao sol para ficar mais branca. Assim, na Semana Santa todos os trabalhos domésticos estavam prontos e davam lugar aos preparativos culinários. Domingo da Ressurreição é o grande dia da Páscoa. As pessoas vestem os fatos e vestidos novos e a Igreja enche-se de gente, cantando e aconpanhando a posterior procissão. Durante a tarde toda a gente esperava a visita do Senhor Vigário, que dava as boas festas, aspergia o lar com água benta e dava a beijar o Senhor.

A grande festa de Maio
No segundo dia de Maio, Escalos de Cima realiza os festejos em honra de São Pedro, o seu padroeiro. Como na maioria das festas desta região, a sua realização é baseda em lendas e promessas dos povos aos seus santos. Assim, a festa de Maio de Escalos de Cima baseia-se na lenda de uma terrível praga de gafanhotos que atingiu a aldeia no séc. XVII, danificando as colheitas, alarmando seriamente a população. O povo pedindo ajuda ao São Pedro, viu as suas preces atendididas, fazendo desaparecer a praga. Contente, o povo prometeu realizar todos os anos durante cinco dias os festejos em memória deste milagre, ornamentando as ruas principais da aldeia com arcos floridos, contratando fogueteiros, bandas de música, etc. A habitual quermesse marca presença, bem como os foguetes, morteiros, latada e outros divertimentos, que animam a população e convidam gentes de outras paragens para que todos juntos façam parte destes festejos.

O São João
Junho é o mês de festa dos três santos populares. Embora o São Pedro seja o padroeiro de Escalos de Cima, só o São João é festejado neste mês, festejos estes que são orientados pelos rapazes e raparigas. O largo da Fonte de Santo Amaro, local onde se realizam os festejos, é muito bem varrido e arrumado, sendo depois composto com locais apropriados para as bebidas, cadeiras, bancos, grelhadores de sardinhas e carnes, palco para os músicos e muita decoração com flores de papel. O rosmaninho espalhado por todo o lado e o pau muito alto com a boneca das bombas também faz parte desta tradição, que permite o todos os participantes comer uma boa sardinha assada, dançar e divertir-se durante estes festejos.

A Festa de São Sebastião
Para abençoar a entrada dos jovens na vida adulta, foi criada a festa do padroeiro "Martil São Sebastião", jovem capitão da 1.ª coorte da guarda pessoal dos imperadores romanos Diocleciano e Maximiniano, nascido no final do séc. III em Narbona, cidade francesa na província de Languedoc. A missa era cantada por três padres e havia incenso, flores, fatos novos e o sermão longo e cansativo porque o sacerdote esforçava-se na explicação dos dotes cívicos e morais do patrono. Na procissão os jovens levavam aos ombros o andor e os pais pegavam nas varas do pálio. A banda de música contratada acompanhava as cerimónias litúrgicas com trechos musicais apropriados e dos melhores compositores. Eram feitos os respectivos festejos por todo o povo, culminando com a despedida do jovem da família para seguir para o seu aquartelamento, com o cabelo cortado à escovinha com a célebre máquina zero. Esta tradição perdeu força nos dias de hoje, muito também por culpa do serviço militar já não ser obrigatório e também pelo próprio progresso que afecta o quotidiano da localidade.

O Madeiro
Os mancebos recenseados para a prestação do serviço militar eram os responsáveis pela armação do madeiro para arder na noite de 24 para 25 de Dezembro, conservando-o se possível até ao Ano Novo. Antigamente os mancebos uma semana antes do Natal levavam dois ou três carros de bois para os locais da madeira, carregando-os juntamente com silvas, giestas, tojos ou estevas que ajudassem a fogueira a arder. Durante o transporte cantavam a plenos pulmões de modo a ouvirem-se em toda a aldeia. Nos dias de hoje o transporte já não é feito por carros de bois, mas sim por camiões que são carregados com a ajuda de máquinas, mas a tradição continua exactamente igual, aquecendo sempre da mesma forma a noite de Natal.